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Introdução
Seguindo a tendência mundial em relação à questão energética, no Brasil, a necessidade de expansão
do setor elétrico é uma questão crucial para o seu desenvolvimento, ao mesmo tempo em que a
preocupação com a saúde ambiental do planeta ocupa lugar de destaque em todo o mundo. Considerando
que a mesma sociedade que demanda essa expansão é a que questiona os impactos ambientais decorrentes
- já que depende do equilíbrio ecológico para garantir sua sobrevivência e das gerações futuras, -
há que se buscar um ponto comum que satisfaça ambos os anseios sociais.
De modo a fomentar esse desenvolvimento de forma sustentável, o planejamento dessa expansão deve
envolver a conjugação de aspectos econômico-energéticos e socioambientais, resultantes da tradicional
competência do setor, associados a uma capacidade de articulação tal que os benefícios advindos do
empreendimento sejam desfrutados pela população como um todo.
Nesse cenário, vislumbram-se novas posturas que consideram o homem, em quaisquer de suas dimensões ou
realidades socioculturais, como beneficiários das mudanças econômicas. E é nesse contexto que a
questão indígena está inserida: na relação direta entre índios e hidrelétricas. Somente com uma
intervenção cuidadosa, pautada no respeito aos direitos das populações indígenas, é que esses
benefícios poderão representar ganhos reais, projetados para o futuro desses povos.
É importante que sejam tomadas precauções para que estes direitos, assegurados na Constituição
Federal e no Estatuto do Índio, sejam incorporados, desde o início, aos planos de desenvolvimento
econômico.
A isso chamamos responsabilidade social: o veículo capaz de garantir o sucesso na conciliação de
projetos econômicos e populações indígenas.
Avá-Canoeiro
Exemplo concreto de responsabilidade social da Empresa quando da implantação de seus empreendimentos,
refere-se às ações empreendidas por FURNAS com os índios Avá-Canoeiro do Tocantins, com vistas a
compensar esse Grupo Indígena das interferências geradas pela implantação da Usina Hidrelétrica
de Serra da Mesa, como a ocupação de 10% de seu território com o reservatório da Usina. O Grupo
contatado consiste de seis índios (um homem, três mulheres e um casal de jovens), que ocupam,
atualmente, uma área de 38.000 ha, no alto curso do rio Tocantins, na região Centro-Oeste do País.
O elenco das atividades desenvolvidas com os índios Avá foi elaborado em conjunto com a Fundação
Nacional do Índio (FUNAI) e previamente submetido ao Congresso Nacional, que o aprovou por meio
de Decreto Legislativo da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Serra da Mesa foi o primeiro
projeto de infra-estrutura do País interferindo em terra indígena que teve autorização do Congresso
Nacional. Esse elenco de atividades é agrupado em quatro conjuntos de ações:
Localização e Contato dos Índios Avá-Canoeiro Isolados - a Empresa manteve por sete anos uma frente
de localização e contato na região onde havia vestígios da presença de outros pequenos
grupos de Avá-Canoeiro isolados, na expectativa de realizar o contato e aproximá-los dos índios já
contatados;
Regularização Fundiária da Terra Indígena Avá-Canoeiro - FURNAS conduziu junto à FUNAI a regularização
da Terra Indígena, a partir do levantamento fundiário, demarcação física e pagamento das benfeitorias
dos ocupantes não índios incidentes na área dos índios, visando a sua desocupação;
Reposição das Áreas Atingidas pelo Reservatório - os 10% do território Avá necessários à construção da
Usina foram repostos, por meio da aquisição de área contígua à reserva; e
Programa Avá-Canoeiro do Tocantins (PACTO) - contendo oito subprogramas de assistência e proteção
àquela comunidade indígena, visando a manutenção do equilíbrio sociocultural do Grupo. Abaixo os
subprogramas do PACTO:
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Subprograma
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Objetivos
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| Saúde |
Garantir a higidez física dos Avá-Canoeiro |
| Educação |
Resguardar a língua materna por meio de ensino bilíngüe |
| Meio Ambiente Proteção e Fiscalização da Terra
Indígena Avá-Canoeiro |
Melhorar as Condições de subsistência dos índios |
| Documentação e memória |
Resguardar a memória do povo Avá-Canoeiro, por meio da reunião da documentação história, audiovisual e cultura material. |
| Unificação do Povo Avá-Canoeiro e Crescimento Populacional |
Apresentar alternativas para a sobrevivência dos índios |
| Obras e Equipamentos |
Manutenção da infra-estrutura necessária à proteção dos índios |
Comunidades Guarani
Como compensação às Comunidades Guarani do município de São Paulo, em decorrência da construção da
Linha de Transmissão 750 kV Itaberá - Tijuco Preto III, foram estabelecidas várias ações, contando
com acompanhamento antropológico, visando, principalmente, a melhoria da qualidade de vida daquelas
comunidades indígenas, das quais FURNAS já realizou as seguintes:
1. Programa de Comunicação Social sobre os objetivos da linha e suas interferências sobre o meio
ambiente e a paisagem local, por meio de palestras àquelas comunidades;
2. Programa de Comunicação Social sobre o uso correto e seguro da energia elétrica, quando foi
realizado um curso de capacitação para os professores índios e não índios das aldeias.
3. Colaboração na identificação e demarcação das Terras Indígenas Guarani Morro da Saudade, Krukutu
e Jaraguá, visando estudos para ampliação das respectivas Terras indígenas;
4.Construção de uma 'Unidade Multifuncional' na Aldeia Krukutu, composta de Posto de Saúde, equipado
com ambulatório e consultórios médico e odontológico, além de cozinha comunitária, objetivando
combater principalmente a desnutrição infantil, bastante acentuada naquelas comunidades;
5. Recuperação da rede de eletrificação das aldeias, precedida de programa de Comunicação Social sobre
o uso seguro e adequado da energia elétrica e curso de capacitação correspondente para os professores
índios e não índios que atuam nas aldeias, além de atividades de premiação aos alunos participantes
das três aldeias;
6. Construção de açude para piscicultura, na aldeia Morro da Saudade e recuperação do açude existente
na mesma aldeia;
7. Construção do prédio para sediar a "Associação Guarani Nhe'em Porã", na aldeia Krukutu e construção
de campo de futebol na mesma aldeia;
8. Atualmente, está sendo implantado o Projeto de Recuperação Ambiental e Subsistência nas aldeias
envolvidas, com a contratação por FURNAS, do coordenador do projeto, indicado pela Funai, com duração
prevista de cinco anos, prorrogáveis por igual período. As atividades propostas neste projeto têm como
objetivo fundamental:
· contribuir para a melhoria da qualidade de vida das famílias Guarani desenvolvendo a atividade de
agricultura sustentável através de implantação de áreas de plantio misto de espécies (frutíferas,
graníferas, madeireiras, medicinais, verduras, legumes, lenha) com a finalidade da produção para
subsistência de alimentos, de material para artesanato e madeira.
· promover a recuperação dos recursos naturais nas aldeias e o aumento da biodiversidade local.
· desenvolver linhas de pesquisa científicas socioeconômicas e socioambientais que auxiliem as
lideranças locais a definir políticas públicas e a entender melhor a dinâmica das famílias em relação a
interferência da vida dos "juruás" (não índios) na cultura e sobrevivência dos Guarani.
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