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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

















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de FURNAS:
 



Histórico da construção da Usina de Furnas

Origem

Conta a história que foi o engenheiro da Cemig Francisco Noronha quem descobriu as Corredeiras das Furnas, quando saiu para pescar a convite da família Mendes Júnior. Era sabido que a Cemig já procurava no Rio Grande um lugar ideal para construir uma usina. Diante de um cânion longo e profundo, o engenheiro, impressionado, tirou fotos, desenhou barragens sobre as mesmas, calculou a profundidade do reservatório e, em Belo Horizonte, apresentou seus estudos ao engenheiro John Reginald Cotrim, então vice-presidente da Cemig e futuro presidente de FURNAS.

Cotrim verificou pessoalmente o local e chegou à conclusão que estava diante de um potencial que permitiria a construção de uma usina de grande porte para atender os três principais centros socioeconômicos do país: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, evitando assim o colapso energético que ameaçava o país.

Em 1955, Cotrim passou a integrar a equipe de governo de Juscelino Kubstchek, que em 28 de fevereiro de 1957, assinou o decreto 41.066 e criou uma das maiores obras do seu governo: a Central Elétrica de Furnas, com sede em Passos, Minas Gerais.

Construção

Construir a maior usina hidrelétrica do país na época, com capacidade de gerar uma potência elétrica de 1.216 MW de potência, exigiu a contratação de profissionais estrangeiros, principalmente ingleses, e a importação de equipamentos da Itália, Suécia, Estados Unidos, Suíça, Canadá e Japão, mas também contou com a criatividade de operários brasileiros que ajudaram na resolução de muitos problemas técnicos de última hora.

Fábio Carvalho Alves, na época, empregado de uma pequena empreiteira chamada Mendes Júnior, trabalhou no núcleo de argila da barragem da usina e conta que não foram poucos os problemas enfrentados. "Deslocar equipamentos pesando cerca de 30 mil kg em balsas era muito difícil. Lembro do dia em que uma afundou com uma carreta de combustível e tive que usar escafandro sem nunca antes ter mergulhado", lembra.

Fábio, hoje aposentado, vive nas Escarpas do Lago, primeiro e maior empreendimento turístico do Reservatório de Furnas, que aprisionou 21 bilhões de metros cúbicos de água dos rios Grande e Sapucaí. A Mendes Júnior, cujo crescimento, em suas próprias palavras, se deve à construção da usina de Furnas, é uma das maiores construtoras do país.

Águas

Se construir túneis e galerias, para desviar o curso dos rios Grande e Sapucaí, desafiou a habilidade técnica de engenheiros e exigiu esforços de operários, convencer os proprietários de terras dos municípios da região a vendê-las para a Empresa, em nome do interesse nacional, não foi mais fácil.

Nem José Cândido Barbosa, hoje com 85 anos, um dos primeiros e únicos a negociar com Furnas "sem entrar em demanda", se convenceu fácil de que as águas fossem alagar suas terras, localizadas no município de Guapé. "Eu fiquei desconfiado porque vieram pedir para demarcar minhas terras e só botavam estacas em terra boa. Fiquei com medo que eles quisessem era invadir a terra da gente".

Depois de consultar um advogado, que explicou que as melhores terras geralmente ficam nos vales, finalmente se decidiu. "Pensei... Ah, vou vender esse trem, porque tudo custou meu suor mesmo, não recebi herança de ninguém. Fui lá e vendi". O valor pago pela Empresa ele não lembra, mas garante que os dois cheques que recebeu foram suficientes para comprar a fazenda onde mora hoje, que lhe custou seis milhões de cruzeiros, e revela que ainda sobrou dinheiro.

Nem todo mundo se convenceu tão fácil. Houve gente para quem nem o dinheiro oferecido, nem a ameaça de ver tudo ficar debaixo d'água era suficiente para abandonar a terra. A maioria recebeu o valor venal, depositado em juízo pela Empresa.

Mas, uma certa dona Clarisse de Souza Rodrigues deu mais trabalho aos advogados de Furnas. Nem mesmo a carta do presidente Juscelino a convenceu de vender as terras. Dona da fazenda Corredeiras, que abriga hoje as instalações da usina e o bairro, ela lutou com unhas, dentes, água fervente e tiros de carabina para não ser desapropriada.

Hoje falecida, é seu filho José Rodrigues Filho, o Vinho, ex-funcionário de FURNAS, que relata que o único que conseguia conversar com ela era o advogado Aldo Hildo Motta. "Minha mãe era brava e para ela as terras não tinham preço. Furnas oferecia dinheiro, fazendas melhores que a nossa e ela não aceitava nada. As obras começaram com ela dentro do canteiro".

Motta, depois de lhe dar presentes, levá-la ao Rio de Janeiro, encheu os olhos de dona Clarisse com um sobrado alugado pela Empresa na nova São José da Barra, todo mobiliado, "com geladeira e tudo mais que só milionário tinha na época. Ela nunca tinha visto nada igual". O aluguel do sobrado por cinco anos somado a 2,7 milhões de cruzeiros, "em notas bonitas, douradas", fizeram Clarisse mudar-se com a família. "O dinheiro ela emprestou, guardou, acabou. Ela morreu numa casinha humilde, na rua Alagoas".

Hoje, Vinho, que trabalhou como servente, zelador, ajudante de cozinha, cozinheiro e garçom na Casa de Visitas de Furnas, sonha em comprar áreas que ficavam na antiga propriedade e que não foram utilizadas pela Empresa. "Se FURNAS colocar à venda esses remanescentes, eu quero comprar em memória dos meus pais, que amavam aquelas terras".

A Usina e as Comunidades do Lago

No dia 9 de janeiro de 1963 o túnel que desviou o curso do rio Grande para a construção da Usina de Furnas foi fechado e as águas que formaram um dos maiores reservatórios do mundo, criou praias, formou cânions e cachoeiras inundou vilarejos e mudou para sempre a história dos 34 municípios que ficam ao longo dos 1.440 km2 de extensão do Lago de Furnas.

A sede do município de Guapé ficou praticamente submersa, o que levou à construção de uma nova sede em local definido pela população. O distrito de São José da Barra, então pertencente a Alpinópolis e emancipado em 1994, ficou integralmente debaixo das águas e deu lugar à "Nova Barra", que a pedido do padre Ubirajara Cabral, pároco local, foi construída pela Central Elétrica de Furnas na forma de um banjo.

A maioria dos municípios possuía vocação agropecuária, mas com o alagamento das áreas produtivas diversificaram suas atividades. Surgiram pequenos comércios e o turismo, ainda pouco explorado, apresenta-se hoje como opção natural para geração de renda na região. São cerca de 260 empreendimentos turísticos, entre hotéis, pousadas e clubes náuticos, de acordo com a Associação dos Municípios do Lago de Furnas (Alago) que movimentam a economia local, gerando empregos e impostos para os municípios.

Impostos

Apenas os impostos gerados pela produção de energia na Usina de Furnas respondem pela maior parte dos recursos de cidades como São João Batista do Glória e São José da Barra que, por sediarem as instalações da usina, dividem meio a meio o ICMS pago pela Empresa.

As demais cidades também são beneficiadas e recebem, proporcionalmente à área alagada, a Compensação Financeira dos Recursos Hídricos (CFRH).

Balsas

Como o sistema viário, composto na maior parte por estradas vicinais, também foi inundado pelo reservatório, a Empresa disponibilizou balsas à população local. Ao todo são 15 embarcações, sendo três à jusante e 12 à montante da barragem, operadas em convênio com 11 prefeituras. Além do investimento inicial, FURNAS arca com os custos de manutenção. O transporte para pedestres é gratuito, mas a renda obtida com o transporte de veículos fica integralmente para o município.

Outros benefícios

Outros benefícios diretos aos municípios, criados pela presença da Usina de Furnas, advêm da política de meio ambiente e responsabilidade social da Empresa.

A estação de Hidrobiologia e Piscicultura, implantada na década dos 70, além de produzir espécies nativas como Dourado, Trairão, Piau Três Pintas, Piracanjuba, Curimbatá e Pau Caranha, para repovoar o reservatório, faz a distribuição de Tilápias invertidas para os produtores rurais de São José da Barra.

São fornecidos cerca de 150 mil alevinos por período reprodutivo a produtores selecionados pela Emater, segundo o biólogo Paulo Sérgio Formágio. Um deles é Nelson Alves Batista, proprietário do sítio Vargem dos Pinheiros. Em 2002, ele recebeu o primeiro lote de alevinos/juvenis de Tilápia Nilótica e a orientação profissional dos técnicos da piscicultura de Furnas. Hoje ele se diz satisfeito com o resultado e com a produção de cerca de 90 toneladas/ano.

A estação também realiza o levantamento das comunidades de peixes de cada reservatório das usinas em operação no Rio Grande, Paranaíba e Paraíba do Sul e emite relatórios para órgãos ambientais, como Instituto Florestal e Ibama. Além disso, avalia a qualidade da água em termos ambientais, medindo o grau de poluição através dos níveis de fósforo e nitrogênio.

Outra atividade que beneficia diretamente os municípios vizinhos à usina é realizada pelo Horto, que produz cerca de 80 mil mudas/ano de espécies nativas cultivadas para o reflorestamento de parte da mata ciliar e destinadas à arborização das cidades banhadas pelo Lago de Furnas.

Horta nas Nascentes e o Pomar Comunitário, recém implantado, também são projetos que fornecem alimentos para famílias carentes de comunidades próximas e entidades beneficentes.